11 September 2016

169 - RECORDANDO CAÇADORES GUIAS QUE FIZERAM HISTÓRIA



ÁLBUM DE RECORDAÇÕES
- 6 -
JOSÉ JOAQUIM SIMÕES
(SIMÕES SAFARIS)

(Republicação actualizada)

1962 – Em Nairoto, o José Simões,  exibindo um belo troféu de Cudo (Tragelaphus strepciceros).


Caçador-guia e promotor de safaris, o José Simões foi o grande dinamizador da indústria dos safaris de caça em Moçambique, iniciada em finais da década de 50, com acção preponderante no distrito de Manica e Sofala, centro do território. 
Nascido na cidade da Beira, onde seu pai era funcionário dos caminhos de ferro da antiga “Beira Railways”, viria a seguir a carreira do seu progenitor, que faleceu quando ele tinha apenas 13 anos. Ainda novo chegou a chefe de estação em Vila Machado (actual Nhamapanda), uma pequena povoação a cerca de cento e vinte quilómetros da Beira e situada no centro de uma vasta região rica em espécies selvagens. Ali a sua paixão pela caça arrastou-o para uma actividade que no início da década de 50 estava muito em moda na região: a caça profissional, que proporcionava uma vida desafogada com a venda da carne, peles e marfim. 
Surgiu nessa altura em Moçambique um brasileiro – Jorge Alves de Lima – que vinha caçar e mais tarde se tornaria num dos pioneiros da indústria de safaris em Moçambique, como concessionário da Coutada oficial nº 5, junto da margem esquerda do rio Save. Este caçador foi provavelmente o  inspirador do José Simões, com quem caçou várias vezes, transmitindo-lhe as suas experiências vividas noutros países africanos, sobretudo no Quénia. 
Depois de alguns anos de envolvimento na dupla actividade de caça para negócio de carne, peles e marfim e realização de safaris (prática comum entre a maioria dos chamados “caçadores profissionais”, embora, na época, não houvesse ainda legislação específica para esta última actividade),  o José Simões  acabaria por visitar o país modelo em África – o Kénia – onde caçou e  ficou a par dos meandros desta indústria. Dedicou-se depois com grande paixão à dinamização  do processo de criação das coutadas oficiais, que, tal como a regulamentação da actividade de caçador-guia, ficaram concluídos em Junho de 1960. 
Obteve a concessão de três das dezassete  coutadas que então foram criadas - Inhamacala (nº 6), Catulene (nº 7) e Marromeu (nº 10) - e criou a empresa “Simões Safaris”, com sede na cidade da Beira. Era também titular da licença de caçador-guia número um, emitida pelos Serviços da Fauna, que exibia com certo orgulho, embora fosse contestado pelo seu colega Alberto Araújo, que fora efectivamente o primeiro caçador a efectuar safaris em Moçambique, na antiga coutada do Sabonete, mais tarde a coutada oficial nº 1 (Ver Álbum nº 2). 
Os jornais e revistas da época acompanharam de perto esta nova actividade em Moçambique e destacaram com frequência os sucessos alcançados pela “Simões Safaris”, que  recebia consagradas figuras do mundo da caça!
Rapidamente o José Simões se tornou conhecido naquele mundo, que passou a visitar com a regularidade que os seus agentes reclamavam! Tornou-se  membro dos mais conceituados clubes de caçadores, indo aos seus congressos e às mais diversas reuniões, 
onde promovia os safaris nas suas coutadas. 
A facilidade e o à-vontade com que se exprimia, quer num fluente inglês,  com sotaque americano, quer num razoável castelhano, granjeou-lhe muitas amizades nos países  de origem da esmagadora maioria dos caçadores-turistas! Os calendários das épocas venatórias ficavam repletos de clientes,  oriundos dos Estados Unidos da América, Espanha, México, Canadá, Itália, França, Alemanha, Brasil, Suiça, Austria, Japão, Argentina e outros.
O sucesso dos safaris nas suas coutadas resultava sobretudo dos excelentes troféus que ali eram obtidos, comparados com os de outros países africanos, como o Kénia, Tanganhica, Congo, Chad, Sudão, República Centro Africana e outros, onde há muitos anos se  explorava esta indústria! Muitos desses troféus atingiram os primeiros lugares nas listas dos records mundiais de espécies africanas e encontram-se registados no livro Rowland Ward’s  Records of Big Game, em nome de famosos caçadores como  Elgin Gates, Stevenson-Hamilton, K. Painter, Lord Kylsant, W. Charter  etc.

Conheci pessoalmente o José Simões em 1961, na cidade da Beira, quando ali me desloquei ido de Cabo Delgado,  para a minha primeira visita ao Parque Nacional da Gorongosa, a convite do Dr Manuel Rodrigues da Costa, veterinário, chefe da repartição distrital de veterinária de Manica e Sofala e que na altura acumulava a administração do mesmo Parque. 
Pessoa muito afável, falava da sua actividade com grande entusiasmo, afirmando a cada passo que a caça turística era a mina de ouro de  Moçambique, por ser  uma fonte de divisas importante que convinha desenvolver e acarinhar. Passámos longas horas abordando os temas envolventes desta matéria e como era o primeiro profissional deste ramo que conhecera até ali, fiquei maravilhado com os seus conhecimentos sobre o mundo dos safaris  e do turismo subjacente, que há muito tentava conhecer! 
No auge da sua actividade, em 1962, as reservas de safaris ultrapassavam em muito a capacidade das suas coutadas e isso levou o José Simões a procurar expandir a sua acção a outras regiões de Moçambique. 
Entusiasmado com as descrições que lhe fiz sobre o  potencial faunístico das regiões do norte, acabaria por obter dos Serviços de Fauna Bravia autorização para que eu o acompanhasse num estudo das áreas de Nairoto, Negomano e Mecula, atravessadas pelo rio Lugenda e limitadas a norte pelo rio Rovuma, fronteira com a Tanganhica (actual Tanzania). 
Em Março daquele ano, tal estudo foi efectuado, embora sumariamente, limitando-se a um breve reconhecimento aéreo das referidas áreas e a pequenas incursões terrestres ao longo da margem direita do rio Lugenda. A quantidade e variedade de espécies avistadas e  os claros vestígios de muitas mais que as matas encobriam, deixaram o José Simões bastante entusiasmado e nesse mesmo ano viria a ser autorizado a realizar  safaris de caça na região.


1962 - O José Simões, com o autor, junto do avião na pista de Nairoto, 
aquando dos trabalhos de reconhecimento da fauna no norte de Moçambique.

As características dessa região, que em grande parte era coberta de matas de bambú, impenetráveis às viaturas, foi a principal causa de insucesso do primeiro safari ali realizado. Era necessário um grande investimento na abertura de picadas e construção de acampamentos e isso não foi feito.
O José Simões concentrou-se de novo nas suas três coutadas de Manica e Sofala e entretanto a sua fama já havia chegado às mais altas esferas da nação, devido à sua acção, dita de patriótica, no estrangeiro.
Um episódio televisivo, nos Estados Unidos, em que um amigo do Simões – Willber May -, dono de uma cadeia de televisão, colocou frente a frente, num dos seus programas, este caçador e o presidente da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), Dr. Eduardo Mondlane, que na altura desenvolvia uma cerrada campanha contra Portugal, devido à colonização do território, colocou  o José Simões  numa posição de autêntico herói  no seio do governo português! Ele tinha enfrentado Eduardo Mondlane  com uma dureza sem precedentes, desmentindo-o sobre as acusações que fazia a Portugal e recusou-se, inclusivamente, a estender-lhe a mão! Isto num programa televisivo visto por milhões de pessoas nos Estados Unidos da América.
Tal episódio fora gravado na embaixada de Portugal em Washington e rapidamente chegou ao governo de Lisboa. Não tardou que o Simões fosse chamado à presença de Salazar, que lhe dispensou 
rasgados elogios, considerando-o um dos melhores embaixadores da política colonial portuguesa no estrangeiro, entretanto muito abalada devido à acção dos movimentos de libertação dos respectivos territórios! 
A presença de altas figuras da finança, da política e da cultura, no interior de Moçambique, conduzidas descontraidamente durante as excursões cinegéticas, eram também consideradas pelo governo como excelente veículo de propaganda, através dessas figuras, que no regresso aos seus países poderiam testemunhar que a vida no território era de perfeita paz e harmonia entre as populações. Nenhuma outra actividade, como a do Simões, servia melhor este objectivo e ele próprio fazia questão de salientar, nas suas palestras no estrangeiro, que a acção dos tais movimentos era nula no território. 
Nasceu assim uma nova etapa na vida do José Simões, cada vez mais conhecido além fronteiras. Ele soube aproveitar bem a simpatia que granjeou do chefe do governo português, obtendo empréstimos bancários consideráveis para melhorar a sua organização. 
Em 1963 e 1964, o  presidente da república portuguesa enviaria convidados seus – os marqueses de Villaverde (filha e genro do generalíssimo Franco, de Espanha)  e o casal Aznar -, para caçarem na “Simões Safaris”. Ainda em 1964,  mais um convidado da presidência – o capitão Munhõs Grandes, filho do ministro da defesa de Espanha -  viria igualmente a efectuar um  safari  nas coutadas concessionadas ao José Simões. O sucesso destes safaris foi simplesmente retumbante  e arrastou  muitas dezenas de caçadores da alta finança espanhola (e não só) para as coutadas de Manica e Sofala, com destaque para a organização do Simões.
Estes safaris oficiais decorreram  já  com a minha presença no distrito de Manica e Sofala e aproximaram-me do José Simões e de toda a sua organização, assim como de outros caçadores-guias que vieram a participar nas caçadas, uma vez que fui designado como supervisor dos mesmos safaris, acompanhando-os de princípio ao fim e  tomando, por vezes, o lugar de caçador-guia, nomeadamente em algumas caçadas individuais do Marquês e  praticamente todas as  do capitão Munhõs Grandes. 
Tive então a ocasião de conhecer de perto este experimentado caçador. Um homem de compleição física a pender para o atarracado, dotado de qualidades excepcionais como pessoa e como profissional. Tinha um excelente relacionamento com as populações rurais, valendo-lhe por isso o respeito e admiração das mesmas. Dava-lhes assistência nas doenças mais simples e nos casos mais complicados as suas viaturas estavam sempre à disposição para levar as pessoas aos hospitais. Um caso particular foi muito falado, na altura, e passou-se no Catulene, onde se situava o acampamento central da coutada numero sete: o régulo local, já de idade avançada, sofria de doença nos olhos que o privavam de ver há mais de dez anos; o Simões levou-o para a Beira e custeou uma operação que lhe recuperou a visão! O velho régulo nem queria acreditar e espalhou aos quatro ventos este “milagre”, que elevou ainda mais alto o prestígio deste caçador. 
A caça aos grandes felinos – leões e leopardos –, por norma muito difícil por se tratar de animais de fácil simulação nas matas e que fora dos parques  raramente se vêm durante o dia, era o seu forte.  Conhecedor profundo dos seus hábitos, conseguia excelentes resultados e os seus clientes raramente  deixavam de abater estes apreciáveis espécimes, invariavelmente ao cair da tarde ou pela madrugada já com o sol a despontar!


1963 - Na coutada 6 (Inhamacala)  o Marques de Villaverde (direita) e o Simões. 
(Foto do autor)


1964 -  Em Inhamacala com o autor no dia em que este recebeu uma condecoração do Governo espanhol resultante da sua acção de supervisão dos safaris dos Marqueses de Villaverde

Em 1964, quando a sua organização deveria estar mais forte devido às excelentes épocas anteriores,  ao seu prestígio cada vez mais acentuado no estrangeiro e   à excelente carteira de turistas-caçadores que preenchiam praticamente todo o calendário desse ano, a “Simões Safaris” sofreu um colapso financeiro, que aliás se vinha acentuando nos últimos dois anos, não obstante os empréstimos contraídos na banca, facilitados pelo governo de Lisboa.
 O José Simões, deslumbrado provavelmente com os sucessos e a fama alcançados,  gastava milhões nas prolongadas viagens ao estrangeiro, sempre acompanhado, desprezando um pouco o controle da empresa, cuja administração não teve colaboradores à altura. As viaturas e os equipamentos atingiram o desgaste quase total e não foram adquiridas outras novas. Os próprios caçadores-guias seus empregados, atingidos pela crise, começaram a debandar para outros promotores de safaris ou tornaram-se empresários individuais. 
O banco credor – Banco Nacional Ultramarino – aproveitando-se da situação, absorveu a  sua organização e criou uma mega empresa – a Safrique (Sociedade de Safaris de Moçambique) -, onde congregou, para além das três coutadas do Simões (nºs 6, 7 e 10),  mais as concessionadas a Alberto Araujo (nº 1), Agência de Turismo da Beira (nº 9), Vergílio Garcia (nº 12), Francisco Salzone (nº14) e Armindo Vieira (nº 15). Obteve ainda a concessão da coutada nº 13. Um total de 9 coutadas  (mais de metade das existentes no território), todas no distrito de Manica e Sofala. 
Em 1965 a “Safrique” arrancou  com uma dinâmica nova: excelentes acampamentos; viaturas e máquinas novas; material de campanha do melhor; abriu picadas por todo o lado e dispunha de uma equipe de caçadores-guias experimentados para garantir safaris ao melhor nível de África.
O José Simões, tal como os outros concessionários das coutadas, com excepção apenas de Francisco Salzone que preferiu continuar como independente em zonas livres, foram integrados na “Safrique” com cotas insignificantes, exercendo funções  de “inspectores”, viradas sobretudo para  a promoção e gestão dos safaris. 

Contudo, o José Simões, desmotivado pelas funções que lhe foram atribuídas e também pela falta dos milhões com que estava habituado na sua anterior empresa, viria a separar-se da “Safrique” pouco mais de um ano depois da sua criação. Juntou-se a um grupo de colegas independentes, entre eles  Victor Cabral, Francisco Salzone, Moreno y Moreno, Mário Damião, Amílcar Jorge, António Fajardo e outros,  obtendo zonas de caça periféricas às coutadas, que se designavam de “zonas livres”, onde efectuavam safaris de nível equiparado já que os núcleos de fauna eram muito idênticos. Uma actividade nem sempre pacífica, dados os conflitos permanentes entre estes promotores e a própria “Safrique”, com acusações mútuas de invasão dos respectivos territórios. 
Paralelamente, o José Simões criou uma nova organização - a empresa “Maningue”-,  virada para a captura de aves e peixes exóticos, cujos resultados atingiram níveis excelentes com a exportação de grandes quantidades de espécimes muito apreciadas na europa. 


1964 – Simões com a Marquesa de Vilaverde (esqª) e Loli Aznar após uma caçada brilhante na coutada 7 (Catulene)


1964 – Simões e Celestino  com os ilustres convidados espanhois em Catulene num dia bem sucedido


A viragem política em Portugal em Abril de 1974, que apressou a independência das colónias portuguesas em África, atingiu todas as organizações de safaris em Moçambique, entretanto já afectadas pela acção dos guerrilheiros da “Frelimo”, que vinham atacando e incendiando diversos acampamentos no distrito de Manica e Sofala, nos últimos quatro anos. 
Começou então a  debandada dos caçadores profissionais e promotores de safaris independentes de Moçambique, para outros países africanos, tendo o Simões, juntamente com Victor Cabral e outros, optado por Angola, onde as condições também descambariam e os obrigou a mudar-se para o Sudão. 
O José Simões terá conseguido bons parceiros, seus antigos clientes em Moçambique e construído uma empresa sólida e de sucesso naquele país. 
Alguns anos de glória e de avultados rendimentos conseguiu  ainda este intrépido caçador, mas também as perturbações políticas naquele país acabariam por atingir as actividades de caça. Mais uma vez o Simões via gorado o seu esforço e diluídos os sonhos que desde muito novo acalentou!
Viveu, sem dúvida, uma vida plena de aventuras e emoções fortes! 
Uma doença incurável, mais forte que todos os perigos que enfrentou durante a sua  vida de caçador, vitimou este simpático beirense, com cerca de setenta anos, em fins da década de noventa.  O José Joaquim Simões - o“Simões Safaris”, como era conhecido no mundo da caça - , era muito estimado  na cidade da Beira e foi, sem dúvida, o caçador moçambicano mais conhecido em todo o mundo! 
Desapareceu assim uma figura mítica, das que mais honraram uma profissão considerada a mais emotiva e perigosa em África – caçador! 
Dois dos seus três filhos, o Manuel e o Durival, seguiram entretanto a carreira do pai, tornando-se caçadores guias e têm desenvolvido esta actividade em vários países africanos, entre eles Moçambique onde a partir de 1994 foram retomadas  as actividades cinegéticas. 
 
Marrabenta, Janeiro de 2002 


Celestino Gonçalves 

(Fiscal de caça-chefe de Moçambique, reformado)

FONTES: 
- Dados genéricos e impressões: do autor; 
- Complementares: Victor Cabral (ex-colega do Simões e actualmente a viver no México) e José Augusto Serra Campos (promotor de safaris e actual concessionário da coutada oficial nº 6 
em Moçambique).



15 August 2016

168 - O PRIMEIRO CAÇADOR-GUIA DE MOÇAMBIQUE


ÁLBUM DE
RECORDAÇÕES 

(2)

CAÇADORES  GUIAS

(Republicação) 

  
Alberto Novaes de Sousa Araújo
(o primeiro caçador-guia de Moçambique)

 
Este personagem encabeça, por mérito próprio a lista que  a seguir divulgamos, referente aos caçadores guias que actuaram em Moçambique antes de 1975, data da independência deste país e altura em que ali  foram suspensos os safaris de caça. 

Pessoa algo polémica devido à forma muito própria, de certo modo austera e rigorosa de estar nesta actividade, fruto talvez das suas raízes aristocráticas de que muito se orgulhava (era filho bastardo do Rei D. Carlos I de Portugal) (1), o Alberto Araújo era considerado o gentleman  da indústria dos safaris de caça em Moçambique. 

Foi concessionário da Coutada oficial nº 1, anteriormente designada por “Coutada do Sabonete”, que fazia limites com o Parque Nacional da Gorongosa . Esta Coutada, por ser o prolongamento ecológico natural do Parque, viria mais tarde e já sob tutela da SAFRIQUE, (2)a ser extinta para dar lugar a uma zona em regime de vigilância especial com vista à sua integração no mesmo Parque. Ali existiam, com abundância, as variadas espécies de animais comuns na região da Gorongosa, incluindo o raro rinoceronte preto, (diceros bicornis), sendo o ponto mais a sul do país onde esta espécie se encontrava na década de 60. 

Uma Coutada fabulosa, em variedade e quantidade de espécies da fauna bravia moçambicana, das mais famosas do continente africano!
O Alberto Araújo emergiu como caçador profissional nos anos 50 do século passado, motivado pela sua grande paixão pela caça quando ao serviço como quadro superior da Trans-Zambezia Railway (proprietária  da linha de caminho de ferro que ligava  a Beira ao Malawi  - antigo Niassalandia -,  via   Dondo, Inhaminga e Sena,  com ramais para Marromeu e  Moatize, mais tarde adquirida pelo Estado português).
 Os seus feitos como caçador eram bem conhecidos e foram largamente noticiados nos jornais e revistas da época, sobretudo devido aos frequentes abates de leões no território da Manica e Sofala e nomeadamente  na região ao  longo da linha férrea entre o Dondo e Inhaminga, muitos deles transportados em carrinhas de caixa aberta ou em zorras para a cidade da Beira onde causavam espanto na população. A sua fama  de caçador de grande mérito, valeu-lhe na época o epíteto de “one shot”, justamente por alardear  a excelência da sua pontaria e cometer aquilo a que chamava de “proeza” que era  matar os animais  sistematicamente com um único tiro. Uma teoria em que só os leigos podem acreditar pois é sabido (e grandes caçadores têm corroborado) que sendo embora frequente nos bons atiradores abaterem animais com um único disparo, a verdade é que isso não é  regra infalível, sejam felinos, paquidermes, antílopes,  bovídeos,  equídeos ou  répteis o alvo do caçador, sobretudo quando os animais são alvejados em movimento e não se pode acertar nos principais  pontos vitais que são o cérebro e o coração. Uma bala colateral por norma derruba o animal, mas terá de ser atingido com mais uma ou duas balas para garantir o seu abate.
 Naturalmente e com todo o respeito pelo grande caçador que foi Alberto Araújo, não deixo de lhe reconhecer o mérito de grande na nobre e arriscada arte de caça africana  e de exímio atirador,  aceitando também  que uma boa parte dos animais que abateu tivesse sido apenas com um tiro. O exagero da sua fama faz parte dos mitos que alguns caçadores (ou seus amigos) criaram, sabendo-se que isso impressionava e lhes dava crédito, atributos que o  saudoso Alberto Araújo granjeou sem precisar do bizarro epíteto “ Araújo one shot”, pois era, de facto, um grande caçador.
Conheci-o pessoalmente apenas em 1963,  altura em que  visitei pela primeira vez a  Coutada 1 quando ali decorriam os preparativos para a campanha cinegética desse ano. Tudo ali era uma azáfama de trabalho no arranjo das picadas e  limpeza   do acampamento - o célebre Kanga N’Thole -  de que tanto se orgulhava, construído  em madeira tratada num local de rara beleza sobranceiro ao rio Nhandugué que delimitava o Norte do Parque.



Aspecto parcial do acampamento de Kanga N’Thole nos anos 60

Nesse mesmo ano e no seguinte, tive a oportunidade de supervisionar alguns safaris oficiais nas diversas coutadas de Manica e Sofala, incluindo a nº 1, pelo que foram muitos os dias de convivência com o decano dos caçadores guias.  Nasceu assim, uma profícua amizade entre ambos, que muito ajudou na minha acção fiscalizadora nos seus domínios  e nas coutadas circunvizinhas, sempre apoiado pelos seus principais pisteiros, nomeadamente aquele que era o seu favorito - o Macorreia.



O pisteiro Macorreia,  o favorito do Alberto Araújo
(Foto do autor quando em campanha de combate à caça furtiva na Coutada 1)

Depois de 1965, o Alberto Araújo, já com a sua empresa integrada na SAFRIQUE, deixou de actuar directamente no campo, passando  a exercer funções de inspector e principal  public relations da organização  na sua sede da cidade da Beira. Ali o contactei sempre que me deslocava à capital do distrito, quer para tratar de assuntos de serviço quer simplesmente para o cumprimentar e trocar algumas impressões de interesse comum. Foi sempre impecável e generoso comigo, preocupando-se sobremaneira em me transmitir os seus conselhos e experiências.



 
Em 1963, depois do1º safari oficial dos Marqueses de Villaverde,(3) o grupo - Alberto Araujo,  Marquês, Adérito Lopes (jornalista), Senhora Aznar (acompanhante), Marquesa e o autor – momentos antes do regresso à Beira.

A rondar, na altura , os sessenta e cinco anos, o Alberto Araújo, de  compleição física ultrapassando os cem quilos, só raramente operava como condutor de safaris e quando o fazia (normalmente com convidados) limitava-se a pequenas deslocações aos tandos (planícies) e savanas abertas para  obtenção de troféus que não implicassem grandes caminhadas a pé, nomeadamente antílopes, zebras, bois-cavalo e aves que proliferavam  por ali como em poucas outras coutadas. Limitava-se a dirigir e controlar a sua Coutada a partir do acampamento central, dispondo de excelentes colaboradores como pisteiros,  motoristas, pessoal de apoio no mato e no acampamento e um leque de competentes caçadores guias.  Os safaris normais eram assim entregues a equipas sob comando dos White Hunters  e as tarefas de hotelaria (alojamento e alimentação) eram brilhantemente dirigidas pelo patrão que primava um tratamento de cinco estrelas aos clientes. Não resisto em referenciar um requintado e controverso hábito do Alberto Araújo,  único em Moçambique (e creio que em todo o mundo) na indústria dos safaris: O anfitrião e os caçadores guias, ao contrário do que acontecia no mato, não tomavam as refeições junto dos clientes no acampamento de Kanga N’Thole. Tinham uma sala própria e só começavam a comer depois do patrão ter servido os vinhos aos clientes! Esta prática, aceite disciplinarmente pelos caçadores guias, indignava a maioria dos clientes que gostavam de partilhar a mesa com os seus guias, pois consideravam que as refeições eram momentos de partilha de amizade e uma excelente oportunidade para analisarem os sucessos e insucessos dos safaris. Mas o nosso homem não transigia e não alterava esse regime, que, na sua óptica, era uma prova de respeito para com os seus clientes!
 Tal discriminação era aceite  pelos caçadores guias com um misto de compreensão e resignação, mas nem por isso deixavam de fazer o seu melhor junto dos  clientes, que dali saíam maravilhados com o resultado dos seus safaris e muitos voltavam nos anos seguintes.  Nunca ouvi uma palavra amarga desses “Príncipes da Selva” em relação ao seu patrão, de quem eram e continuaram a ser amigos. Embora pretenda falar deles em álbuns específicos,  fica aqui a minha admiração por esses competentes profissionais que ali conheci e com quem fiz amizades, nomeadamente, Victor Cabral, Francisco  Coimbra (Chico), Luís Santos, Mário Lopes, Carlos Cruz e Luís Mena.


Victor Cabral



Francisco Coimbra
(Chico)




Luís Santos





Mário Lopes com um turista caçador espanhol







Luís Mena (drtª) com o autor em 1963





Carlos Cruz com o astronauta James Lowel e Esposa



Durante o tempo de defeso da caça o Alberto Araújo não ficava inactivo. Organizava safaris de pesca, a partir da Beira, sendo também famoso nesta sua actividade com records obtidos em espécies raras como o Marlin.
Dado  o seu relacionamento privilegiado com as mais diversas figuras da vida pública, era anfitrião constante de individualidades de destaque, a maior parte para efectuarem caçadas patrocinadas ou apoiadas pelo próprio governo. 

Viria a falecer no ano de 1969, não resistindo à doença do foro cardíaco que o afectou nos últimos anos.
 Vive na cidade da Beira o seu único filho de nome Alberto Filipe Araújo, conhecido pelo “Búfalo”.  Tal como seu pai, é grande entusiasta pela caça e assume os laços sanguíneos como neto bastardo de D. Carlos, o penúltimo rei de Portugal assassinado em 1908, dois anos antes do fim da monarquia em Portugal.

(1) Pessoas muito próximas do Alberto Araújo, de entre elas o caçador guia   Victor Cabral, eram credoras da história  sobre os laços sanguíneos que ligam o Alberto Araújo ao Rei D. Carlos I de Portugal e cujos contornos se resumem nestes factos: D. Carlota, sua mãe, quando era a 1ª dama da Corte e íntima da Rainha D. Amélia, teve uma relação amorosa com o Rei e daí nasceu o Alberto Araújo. Com seis meses de idade foi para Moçambique  com a mãe que entretanto casara com o coronel Sousa Araújo e fora mandado pelo Rei em comissão de serviço para aquela ex-colónia portuguesa. O casal acabaria por se fixar na cidade da Beira, onde o Alberto Araújo cresceu e fez carreira como funcionário da companhia Trans Zambézia Raylls, tornando-se mais tarde caçador profissional. Do seu segundo casamento teve um filho, Alberto Filipe Araújo, conhecido pelo “Búfalo”,  que vive na mesma cidade e, tal como seu pai, é grande entusiasta da caça e também assume os laços sanguíneos (neto bastardo) com o penúltimo monarca português   assassinado em 1908, dois anos antes do fim do regime monárquico neste país.
Confrontadas as fotografias do Rei D. Carlos com a destes assumidos descendentes, são evidentes os traços físicos entre si. O Alberto Araújo ostentava com muito orgulho a fotografia do Rei no seu escritório!



Rei D. Carlos de Portugal (1863/1908)

Alberto Araújo e Esposa D. Olívia Santos no início da  década de 60   
(Foto gentilmente cedida pela  sobrinha Helena Raposo)

Alberto  Filipe Araújo
(Foto  gentilmente cedida por Helena Raposo)

 (2) A SAFRIQUE – Sociedade de Safaris de Moçambique -  foi constituída, em 1964, por iniciativa do Banco Nacional Ultramarino, tendo congregado as coutadas 1, 6, 7, 9, 10, 12, 13, 14 e 15 e os respectivos concessionários.  E em boa hora foi criada, visto que a partir de 1965 os safaris de caça em Moçambique foram considerados dos melhores em toda a África e a Safrique a melhor empresa do ramo em todo o mundo !
 (3) Os Marqueses de Villaverde - filha e genro do Generalíssimo Franco, Presidente de Espanha - efectuaram safaris de caça em Moçambique em 1963 e 1964, como convidados do Presidente da República Portuguesa. Estes safaris decorreram em diversas coutadas de Manica e Sofala, tendo o autor sido designado supervisor dos mesmos.

 
1.1 - O NASCIMENTO DA PROFISSÃO

A caça turística em Moçambique surgiu no início da década de 60 e resultou de medidas tomadas pelo Governo para acabar com a chamada "caça profissional", até então praticada em todo o território por algumas centenas de caçadores que se dedicavam ao abate de espécies de grande porte, sobretudo elefantes, búfalos, hipopótamos, elandes  e zebras, para venda da respectiva carne, peles e marfim. 

Alguns desses caçadores e outros que praticavam a "caça desportiva", conhecidos por "caçadores de fins-de-semana", apoiados pela legislação acabada de sair, requereram a licença de caçador-guia, modalidade/profissão  inexistente antes.

Os mais destacados, que já tinham acampamentos nas zonas de grande densidade de fauna bravia, levados pelo entusiasmo das notícias que chegavam de alguns países africanos, nomeadamente do Quénia relatando sucessos relacionados com os safaris de caça, disputaram entre si as melhores zonas do centro e sul do território, apresentando às autoridades os pedidos para nelas exercerem esta nova actividade - a exploração da caça turística. 

Foram assim criadas as "coutadas oficiais".



Mapa das coutadas elaborado posteriormente à extinção das coutadas números 1,2,3 e 17.  

Foi um processo infelizmente mal conduzido, já que a própria legislação na altura não assegurava as condições a que deveriam obedecer tais áreas. 
Sem qualquer estudo ecológico ou simples avaliação do potencial e da variedade de espécies existentes, foram criadas, em 1960, as Coutadas Oficiais para a realização de  safaris de caça, com base apenas nos dados apresentados por cada um dos candidatos a concessionários ! 
Nasceu assim o turismo cinegético em Moçambique e, em consequência disso,  uma nova profissão: O caçador guia.

  
  
 
1.2. - OS PIONEIROS
No centro do território – distrito de Manica e Sofala -  vieram a ser criadas 15 Coutadas oficiais, (numeradas de 1 a 15) e no sul, distrito de Gaza, mais 2 ( com os números 16 e 17). Foram concessionadas aos respectivos requerentes, a saber:

 
- Coutada 1  - Alberto N. Sousa Araujo (a) 
- Coutada 2  - Não concessionada (b) 
- Coutada 3  - Idem (b) 
- Coutada 4  - Moçambique Safarilandia (c)
- Coutada 5  - Jorge Alves de Lima 
- Coutada 6  - José Joaquim Simões 
- Coutada 7  - Idem 
- Coutada 8  - Clube de Caçadores da Beira 
- Coutada 9  - Agência Turismo Beira 
- Coutada 10 -José Joaquim Simões 
- Coutada 11-Amílcar Xavier Coelho 
- Coutada 12-Vergílio Garcia 
- Coutada 13- (d) 
- Coutada 14-Francisco Salzone 
- Coutada 15-Armindo Vieira 
- Coutada 16-Manuel Sarnadas 
- Coutada 17-José Afonso Ruiz(e)

(a) – A Coutada 1 foi extinta em 1969 e criada uma "Zona de Vigilância Especial" para integração no Parque Nacional da Gorongosa.
              
(b) – Estas Coutadas foram criadas como zonas tampão do Parque Nacional da Gorongosa e não foram concessionadas. Eram ali autorizados safaris a caçadores guias independentes e vieram mais tarde a ser extintas.

(c) -   A Coutada 4 foi extinta em 1973 por motivo da criação do Parque Nacional de Zinave.

(d) – A Coutada 13, por razões que estiveram ligadas a um desentendimento entre o seu inicial requerente, Miguel Guerra e os Serviços da Fauna,  só mais tarde veio a ser concessionada, por concurso público, à Safrique. Entretanto eram ali autorizados safaris de caça a caçadores guias independentes.

(e)
 – A Coutada 17 foi extinta em 1973 por ter sido criado o Parque Nacional do Banhine abrangendo a maior parte da sua área.
 
  


  
 
1.3. - Lista geral dos caçadores-guias que operaram em Moçambique antes de 1975

Nº 
NOME
Local de actuação 

1 
2 
3 
4 
5 
6 
7 
8 
9 
10 
11 
12 
13 
14 
15 
16 
17 
18 
19 
20 
21 
22 
23 
24 
25 
26 
27 
28 
29 
30 
31 
32 
33 
34 
35 
36 
37 
38 
39 
40 
41 
42 
43 
44 
45 
46 
47 
48 
49 
50 
51 
52 
53 
54 
55 
56 
57 
58 
59 
60 
61 
62 
63 
64 
65 
Alberto Novais  S. Araujo  
José Joaquim Simões  
Francisco Salzone  
Armindo Vieira  
Vergílio Garcia 
Amílcar Coelho 
Adelino Serras Pires  
Francisco Coimbra  
Augusto Luis Santos 
Joaquim Silva  (Jack) 
Mário Cabeça Lopes 
Mariano Ferreira  
Pierre Maia 
Carlos Costa Neves 
António Fajardo 
Francisco Martinho 
José Augusto S.Pires 
Victor Cabral  
Luis Lopes da Silva 
Carlos Cruz 
Amílcar Jorge 
Miguel Guerra 
Luis Cardoso 
Alberto Osório 
Luis Mena 
José Luis Barros 
Gilberto Barros  
Henrique Leitão 
Mário Damião de Carvalho 
Gilberto Lobo  
 James Chalmers  
Wally Johonson  
Michael Rowbotham  
Jorge Alves de Lima  
Werner Von Alvensleben  
Manuel Posser de Andrade  
Rui Quadros 
Amadeu Peixe  
Manuel Carvalho Figueira 
José Saraiva de Carvalho 
Manuel Rodrigues  
José Luis Tello (Picão) 
José Afonso Ruiz 
Harry Manners  
Manuel Sarnadas  
António Sá Mello  
Luis Pedro Sá Mello 
José La Puente  
Sérgio Pais Mamede 
Cândido Veiga 
Sérgio Veiga 
José António Pereira 
António Andrade 
António Monteiro (Kubitchek) 
Noel Jorge 
José Barreto  
Walter Johnson  
António Alfaro Cardoso  
George Dedek 
Sérgio Cardiga 
Janaka (Grego) 
António Augusto 
José Pereira  
Keneth Fubs  
António Moreno y Moreno
Coutadas de Manica e Sofala 
 Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Coutadas do Save (4 e 5) 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Cout. Limpopo (16 e 17) 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Cout. de Manica e Sofala 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem 
Cout. do Save e Limpopo 
Idem 
Idem 
Cout. Limpopo 
Cout. Manica e Sofala 
Idem 
Idem 
Idem 
Idem
NOTA: 
Esta lista foi elaborada com o apoio de: Dr Armando Rosinha; Luis Pedro Sá e Mello; Augusto Luís dos Santos, Nénè Vieira; Mário Lopes; Carlos Costa Neves e Adelino Serras Pires. Ficam aqui os meus agradecimentos a estes colaboradores, o primeiro ex-director da Fauna Bravia, o segundo da Nyalaland Safaris e os restantes ligados à Safrique. 
Trata-se pois de um recurso à  memória, nossa e deste conjunto de prestigiadas figuras que estiveram directamente ligadas à indústria do turismo cinegético em Moçambique, já que não foi possível recolher estes dados junto dos Serviços da Fauna  onde infelizmente não foram preservados os arquivos do período pré independência.    
Poderá, assim, haver uma ou outra omissão. A existir, ela é involuntária, pois  pretendemos  recordar aqui todos os caçadores-guias que actuaram com este estatuto, até 1975, data da independência de Moçambique. Estaremos pois, abertos à inclusão posterior de eventuais esquecidos, bastando que nos comuniquem os respectivos nomes.


Marrabenta, Julho de 2000 

Celestino Gonçalves 


 

NOTA FINAL:
Este Álbum foi publicado no ano 2000 no meu site www.geocities.com/Vila_Luisa/ - Fauna Bravia, Caça e Caçadores de Moçambique. Manteve-se activo até 2008, altura em que,  por decisão unilateral do servidor, foi desactivado.
Com algumas alterações introduzidas ao original, resultantes de informações e fotos entretanto recebidas ao longo dos últimos anos, a versão actual dá mais veracidade à história  do 1º caçador guia de Moçambique, Alberto de Sousa Araújo.

Marrabenta, Janeiro de 2011

Celestino Gonçalves